sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

ENSINO DO RUGBY NO MEIO ESCOLAR

Educador:Natanael Steffen
CREF 3 008348
CIT.6614/10
O Rugby é um jogo popular que é jogado por homens e mulheres de todas as idades, raças e crenças.
Actualmente joga-se em mais que 100 países espalhados pelo mundo fora. 
Caracteristicas
As equipas são constituidas por 15 jogadores, embora exista torneios de sevens, (equipas com apenas 7 jogadores).
No jogo de 15, existem 8 avançados e 7 jogadores da linha de três-quartos.
No jogo de sevens, existem apenas 3 avançados e 4 três-quartos.
O objectivo do jogo é marcar um numero máximo de pontos, transportando uma bola oval para a zona de marcação, denominada zona de ensaio. Uma vez nessa zona é necessário pressionar a bola no chão, com um movimento de cima para baixo. Isto chama-se um ensaio e vale 5 pontos. Não se pode soltar a bola antes dela ter entrado em contacto com o chão. Um ensaio é premiado tambem com um chuto aos postes. A bola pode ser chutada colocando-a no chão ( place kick ) ou deixando-a cair das mãos, bater no chão e então chutar ( pontapé de ressalto). Se a bola passar por cima da barra horizontal e entre os postes verticais, o pontapé de conversão resulta em mais 2 pontos.
Pode-se tambem marcar pontos fazendo um pontapé de ressalto durante o jogo, ou através de um pontapé de penalidade. Ambos valem 3 pontos.
A bola não pode ser passada à mão para a frente (embora possa ser pontapeada para a frente).
Os jogadores não podem receber a bola numa posição de fora de jogo nem podem esperar numa posição dessas.
Os jogadores não podem placar (parar o outro jogador) sem a bola, nem parar o adversário com os pés ou agarrando-o acima dos ombros.
Uma jogada pára apenas quando é marcado um ensaio, ou a bola sai da terreno de jogo, ou uma infracção ocorre.
Quando a bola sai do terreno de jogo, é lançada de volta para o jogo numa touche .
Os avançados de ambas as equipas alinham-se em duas filas e saltam para ganhar a bola.
Faltas resultam em penalidades, pontapé livres ou melés .
Numa melé , os avançados adversários juntam-se para formar tentando empurrar o adversário e ganhar a bola com os pés.




Introdução
    As nossas escolas são locais privilegiados para a abordagem e prática de todos os desportos. O rugby como desporto colectivo não é excepção à regra, e enquanto matéria de ensino para a escola é excelente.
    As mudanças curriculares, bem como as necessidades e motivações dos jovens que frequentam as nossas escolas tornam-se cada vez mais importantes ao ponto de considerar que se torna importante por parte do professor de educação física, encontrar novas soluções e novas motivações no decorrer do processo de ensino-aprendizagem.
    A prática do rugby na escola, à partida encontra-se "limitada" a pisos duros, o contacto, factor fundamental no processo de ensino - aprendizagem, terá que ser orientado para a educação de conduta de comportamento, por forma a garantir as condições de segurança individual e de grupo.
    As formas adaptadas e propostas pela Federação Portuguesa de Rugby (F.P.R) para o ensino do rugby na escola privilegiam a circulação de bola e o reposicionamento constante dos jogadores, devendo ser evitado o confronto físico entre os alunos e o jogo deve ser entendido como um meio e não como um fim.
    A proposta da FPR visa uma metodologia orientada para dois tipos de jogo adaptado. O "Jogo do Bitoque Rugby" e o "Jogo da Azeitona" são jogos que permitem que o aluno codifique rapidamente as condutas de comportamentos tanto nas situações de ataque como de defesa. Isto porque no "Bitoque Rugby" o contacto é limitado ao toque simultâneo com as duas mãos, e no caso do "Jogo da Azeitona" agarrar o adversário pela cintura é a forma de impedir a progressão do mesmo no campo.
    Os novos programas contemplam hoje a hipótese dos nossos alunos vivênciarem a prática do rugby, como matéria alternativa. Devido à riqueza de situações que o rugby proporciona, considero que constitui um meio formativo por excelência.
A abordagem do rugby no meio escolar
Principais dificuldades sentidas pelos professores de educação física:




  • Como iniciar a abordagem da modalidade no meio escolar;
  • Desconhecimento do jogo , de regras e princípios do próprio jogo
  • Falta de recursos materiais adequados;
  • Pisos duros;
  • Espaços reduzidos;
  • Pouca ou nenhuma vivência de professores e alunos com a modalidade;
  • Falsa imagem do jogo como sendo algo de violento;
  • Desconhecimento das formas metodológicas de aplicação prática no processo ensino;
  • Insegurança por parte do professor nas formas de abordar e ensinar a modalidade;
  • Programa algo desajustado da realidade das nossas escolas;
  • Medo do risco de lesões por parte dos alunos
  • Pouca expressão da modalidade;
Por onde Começar:
    Fruto da minha experiência como formador nesta área, estou certo de que as dificuldades referidas anteriormente são sentidas pela maioria de todos os professores de educação física das nossas escolas em relação à modalidade.
    Sugiro no entanto algumas estratégias de forma a facilmente ultrapassar as dificuldades sentidas no que respeita à iniciação e abordagem desta modalidade no meio escolar.
Sugestões


  • Procurar informação junto de colegas ou pessoas ligadas à modalidade;
  • Solicitar junto dos directores técnicos regionais da F.P.R informação e apoio técnico;
  • Procurar documentação e bibliografia específica para iniciação à modalidade;
  • Pesquisar a informação específica disponível em páginas na Internet ;
  • Faz parte do plano estratégico da FPR anualmente realizar acções de formação de promoção e de desenvolvimento do rugby no meio escolar da qual pode participar;
  • Ler e reajustar o programa de educação física da modalidade à realidade da sua escola;
  • Adquirir os recursos materiais necessários para iniciar a abordagem na modalidade;
  • Adquirir a cassete do bitoque rugby e do jogo da azeitona da FPR;
  • Filmagem de um jogo de rugby para mostrar o jogo aos alunos;
  • Ler as regras e regulamento do jogo, disponíveis na página oficial da FPR;
  • Adquirir 8 a 10 bolas específicas de rugby (iniciação nº 4 e oficial nº 5 );
  • 2 Conjuntos de coletes com cores diferentes;
  • Um conjunto de sinalizadores;
  • Realização de uma unidade didáctica;
  • Realização de um plano de aula com exercícios a realizar.

    A abordagem inicial 

    De acordo com Pierre Villepreux, (1993) o .que deve estar presente em cada situação
    de iniciação ou de aprendizagem é o jogo em si mesmo
    O rugby é uma actividade rica em situações imprevistas, às quais o aluno que joga tem que responder. Assim sendo, os jogadores inicialmente devem resolver situações de jogo que, dadas as mais diversas configurações, exigem uma elevada adaptabilidade e especificidade no que respeita à dimensão táctico-cognitiva.
    Sendo o jogo de rugby fértil em acontecimentos imprevisíveis, requer, por parte dos seus intervenientes, uma permanente atitude táctico-estratégica. 
    Dentro do enquadramento pedagógico, o rugby apresenta uma especificidade própria, o Confronto Físico. Esta noção é fundamental logo à partida, como refere Nerin (1996). O acto motor está inicialmente condicionado pela personalidade do jovem, nas dimensões motora, afectiva e cognitiva. Neste sentido, a aprendizagem inicial deve primeiramente resolver os problemas que vão surgindo no plano afectivo, em vez de uma aprendizagem estereotipada analítica e técnica.
    Rocha e Cordovil (1995), referem que a concepção do ensino e aprendizagem do rugby aponta no sentido de criar condições para que o jovem praticante se aproprie activamente do rugby, identificando os "porquês" antes dos "como ", a táctica antes da técnica.
    Este problema de abordagem (técnica e/ou táctica) nas fases iniciais de aprendizagem é também, no rugby , diferenciado por vários treinadores e técnicos quanto à sua duplicidade de abordagem.
    Uma das consequências mais evidentes tem sido a obsessão pelos aspectos do ensino/aprendizagem centrados na técnica individual Bonnet, (1993). Desde os anos 60, que a didáctica dos jogos desportivos colectivos repousa numa análise formal e mecanicista de soluções pré-establecidas.
    René Deleplace (1996) sugere um trabalho de formação de jogadores que implique globalmente os jogadores em equipa contra equipa, subgrupo contra subgrupo, considerando também nesta categoria todos os efeitos de oposição possíveis, a partir de 6 contra 6 ou de 1 contra 1.
    O modelo metodológico ideal de iniciação e formação de jogadores de rugby na actualidade não existe, o modelo desejável é por si só flexível. Existe no entanto actualmente alguma unanimidade entre técnicos e formadores para as vantagens na utilização da oposição durante a formação de jogadores , bem como do jogo global para o específico em função da estruturação e lógica do jogo moderno.

Propostas para a abordagem inicial do rugby no meio escolar
  • Abordagem teórica inicial com visionamento de vídeos específicos de formação;
  • Explicação simples dos princípios fundamentais do jogo;
  • Restrição Inicial de acções técnicas como (Placagem; End-off; Jogo ao pé) etc;
  • Substituição destes gestos por (Bitoque; Agarrar;Jogo á mão);
  • Definição de objectivos prioritários de acordo com o escalão etário;
  • Ter em atenção as variáveis: Espaço ; Tempo ; nº de alunos e formação de grupos;
  • Definição de regras de conduta, segurança e fair-play;
  • Grau de complexidade reduzido em relação ao exercícios técnico-tacticos;
  • Aplicação e utilização de movimentos básicos do jogo;
  • Utilização inicial de exercícios simples e objectivos;
  • Utilização predominante de metodologia global - Jogo;
  • Constante análise dos comportamentos observados;
  • Avaliação selectiva sobre a tomada de decisões em jogo por parte dos intervenientes;
  • Permitir a descoberta do jogo global pelos seus intervenientes;
  • Apresentação prática através do jogo das regras essenciais;
  • Ensino prático através do jogo dos princípios do jogo;
  • Privilegiar com o jogo a descoberta de soluções por parte dos jovens jogadores;
  • Desenvolvimento de capacidades simples de jogo em equipa;
  • Desenvolver várias formas de solução de ataque e defesa em jogo;
  • Realização de acções que se identifiquem o mais possível ao que se produz em jogo;
  • Privilegiar exercícios tácticos combinados com oposição;
  • Exercícios com execução e variabilidade que criem uma ampla disponibilidade motriz ;
  • Prática de diferentes situações reais de jogo com oposição passiva e activa;

    Erros mais frequentes na abordagem inicial do rugby no meio escolar
  • Preocupação com a explicação detalhada de regras;
  • Ensino inicial de acções técnicas colectivos que fazem parte do jogo;
  • Transmissão de muita informação sobre o jogo;
  • Pouca liberdade de acção dos intervenientes, na descoberta do jogo;
  • Exercícios que englobam muitos conteúdos técnicos;
  • Permissão prematura de confrontação física directa entre os alunos;
  • Utilização do jogo ao pé, o que dificulta a progressão e entendimento do jogo;
  • Falta de algum cuidado na organização dos grupos de trabalho;
  • Interrupção do jogo em situações de continuidade do mesmo;



Propostas e sugestões práticas para a realização de exercícios na abordagem inicial do rugby no meio escolar













Nota final
    Certo de que algumas das sugestões apontadas irão de encontro a muitas das respostas desejadas pela maioria dos professores de educação física das nossas escolas, importa ainda referir que é fundamental que nós professores, assumamos a responsabilidade de ultrapassar algumas das dificuldades que do ponto de vista metodológico e pedagógico se colocam no nosso dia a dia, porem estas só serão ultrapassadas, se tivermos vontade, iniciativa e criatividade para criar e encontrar as melhores soluções metodológicas.

Referências bibliográficas
  • Conquet, P. &, Devaluez, J. (1998), Les fondamentaux du rugby. Vigot, Paris.
  • Corless, Barrie (1998), El Rugby Técnica, Táctica y Entrenamiento,: Hispano Europeia.
  • Ferreira, J. & Cordovil, J. (1982), Rugby no ISEF. Perspectivas actuais e futuras, Ludens, ISEF UTL.;
  • Graça, Amândio; Oliveira, José (1995), O Ensino dos Jogos Desportivos, Porto: Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do Porto, 11-25; 219-244.
  • Godemet , A; (1987-1988), Rugby World Magazine, JAN, N & B ; 32-45.
  • Nerin, Jean-Peys; Peyresblanques, M. (1990), Rugby Entraînement Technique et Tactique, Paris:Amphora.
  • Villepreaux, P. (1993), Rugby de movement et disponibilité du jouer. Mémoire I.N.S.E.P.


www.efdeportes.com




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