terça-feira, 13 de outubro de 2015

ENTENDA O BEISEBOL


Que o futebol é a paixão do brasileiro não resta dúvida. E uma das suas grandes características é justamente o dinamismo do jogo, onde a liberdade dos jogadores e as jogadas chamam a atenção e empolgam. Talvez por isso que o brasileiro, em geral, acha o beisebol um esporte monótono, chato mesmo. Mas isso não é verdade, principalmente quando se começa a entender o espírito e os objetivos do jogo.
Por acreditar nisso é que tentaremos, de uma forma clara e objetiva, pontuar algumas regras e esclarecer as mais comuns expressões do jogo. Depois disso, assista os jogos, jogue em seu vídeo game, em jogos on line, e veja como o beisebol pode ser verdadeira emocionante. No Brasil, apenas os canais ESPN transmitem os jogos. Eis uma boa pedida, já que os bons narradores e comentaristas sempre buscam situar os telespectadores sobre o que está acontecendo no jogo. Se a partir daí você realmente curtir o jogo, indicamos que você adquira o pacote MLB.TV, no site da Major League Baseball na internet (www.mlb.com). Todos os jogos são transmitidos on line a um preço mais do que justo. Apenas observe as exigências técnicas para a conexão de internet e para o seu computador.
COMO FUNCIONA O BEISEBOL?
Objetivamente falando, no Beisebol vence do time que, em nove entradas, anotar mais corridas. É um jogo clássico de ataque contra defesa e conquista de território. Numa partida, os dois times se alternam na defesa e no ataque ao logo de nove entradas (chamadas de inning). Uma entrada se subdivide em duas partes, ou turnos: a) Na primeira metade da entrada o time visitante ataca enquanto o time da casa se defende, e; b) na segunda metade da entrada ocorre o inverso, atacando então o time da casa. Essa entradas não são controladas pelo tempo, mas sim pela eliminação de três jogadores do ataque, e nada mais. Em outras palavras, enquanto a defesa não eliminar três jogares de ataque, a entrada não acaba. Se ao final das nove entradas os times estiverem empatados, entradas extras ocorrerão até que alguma equipe alcance a vitória.
QUAL O PAPEL DE CADA JOGADOR EM CAMPO?
No beisebol, o ataque do time é representado por um único jogador, o rebatedor, enquanto que a defesa atua com nove jogadores. Eis a distribuição desses jogadores em campo e, a seguir, sua identificação:
JOGADORES DE DEFESA
Como dito, são nove os jogadores de defesa de um time de beisebol. No infield (parte interna do campo, geralmente caracterizado pelo piso de saibro – marrom) estão o Pitcher (P), ou arremessador; o Catcher (C), ou recebedor; o First Baseman (1B), ou primeira base; o Second Baseman (2B), ou segunda base; o Short Stop (SS), e; o Third Baseman (3B), ou primeira base. No outfield (parte externa do campo) estão o Right Fielder (RF), ou jardineiro direiro; o Center Fielder (CF), ou jardineiro central, e; o Left Fielder (LF), ou jardineiro esquerdo.
Apesar de todos os jogadores serem essenciais para o sucesso da defesa, atuando em sua respectiva área do campo, a figura de destaque dessa formação é o Pitcher, que objetiva justamente arremessar a bola para o Catcher de tal forma que o jogador de ataque não consiga rebater ou, se rebater, o faça de uma maneira que facilite a atuação dos demais defensores em campo. Esses arremessos devem ser realizados dentro da strike zone, ou zona de strike, que é um retângulo imaginário baseado no home plate e entre os cotovelos e os joelhos do rebatedor, como na fotografia abaixo:
Pelo fato do Pitcher ser uma atividade muito desgastante, somado à quantidade de jogos numa temporada, cada equipe tem mais de um jogador nessa posição, que são divididos em starters, ou pitchers titulares, e relievers, aqui chamados de  pitchers reservas. Na MLB, na média 5 jogadores se revezam como starters, que são chamados de a rotação titular de um time. Esses jogadores seguem uma ordem para iniciar o jogo de acordo com a estratégia do treinador. Já os relievers são utilizados pelo treinador ao longo da partida, substituindo o starter, de acordo com a estratégia de arremesso. Apesar de começarem como reserva, esses jogadores, cujo coletivo chamamos de bullpen (referência à área onde os reservas se aquecem), são importantíssimos, pois é preciso manter o alto nível de arremesso ao longo das nove entradas. Esses reservas geralmente são especialistas em determinados momentos do jogo. Por exemplo, entre os relievers há o long reliever, jogador especializado em entrar nas entradas iniciais, o left-handed especialist, jogador canhoto utilizado para eliminar rebatedores com a mesma característica, o setup, jogador especializado em jogar a oitava entrada quando o jogo está apertado, e o closer, jogador que entra na última entrada para garantir a vitória do time. Quando este jogador mantém a vitória, computa-se ao seu favor o chamado save. Todos esses arremessadores têm em comum, porém, o objetivo de eliminar três rebatedores para que seu time passe a atacar, momento em que o jogo avança em direção à nona entrada.
BOLA EM JOGO – O QUE ACONTECE?
Quando o arremessador está no montinho e lança a boa ao catcher, três situações podem ocorrer:
1 – STRIKE! Um arremesso é considerando pelo juiz strike quando:
1.1 – Called strike: a bola vai dentro da strike zone e o rebatedor não tenta acertar a bola;
1.2 – Swinging: o rebatedor tenta a rebatida e não acerta a bola. Neste caso, pouco importa se o arremessador jogou dentro ou fora da zona de strike;
1.3 – Foul: o rebatedor acerta a bola, mas ela vai para trás da foul line, linha existente entre o home plate (onde fica o rebatedor) e um poste ao final do campo, o foul pole. Aqui, importante dizer que foul é considerado strike por no máximo duas vezes. Quando o rebatedor já tiver dois strikes contra si, uma nova foul não o eliminará, pois se considera que ele está defendendo a strike zone.  Há que se dizer, ainda, que o foul só é considerado se for no público ou bater no chão fora dos limites do campo. Se for foul mas um jogador de defesa conseguir pegar a bola sem bater no chão, o rebatedor é eliminado por fly out.
Temos a seguir dois vídeos que mostram essas possibilidades.
Neste vídeo podemos ver 7 arremessos do Pitcher Jered Weaver, dos Los Angeles Angels. Ao não tentar rebater, o rebatedor recebe um called strike. Ao tentar rebater, mas sem acertar a bolinha, o jogador recebeu strike por swinging. No último lance o arremessador elimina um jogador o arremessador elimina um jogador por fly out, ainda que a bola tenha sido pega atrás da foul line (explicaremos este lance mais abaixo).
Neste vídeo de Derek Jeter, do New York Yankees, podemos ver dois lances de foul, onde o jogador tenta rebater, e acerta na bola, mas ela vai para trás, em direção ao público.
Se o arremessador realizar três strikes contra o mesmo rebatedor, este é eliminado por strikeout. Um detalhe é importante: o terceiro strike não pode ser um foul ball. A única exceção é quando o foul ball decorreu de um bunt. Neste caso o jogador também é eliminado por strikeout. Eis o exemplo no vídeo abaixo.
2 – BALL! Ocorre quando o arremesso do pitcher não atinge a strike zone e o rebatedor não tentou rebater. O pitcher pode arremessar no máximo três Ball contra o arremessador. Se o quarto Ball acontecer, o rebatedor tem direito a caminhar direto para a primeira base sem precisar tentar rebater. Quando isso acontece, há o chamado Walk. Importante: Caso já exista um jogador do time na 1ª base, ele avançará para a 2ª base e o rebatedor que recebeu o Walk vai para a 1ª base.
Neste vídeo, da final de 2009, Cole Hamels, do Philadelphia Phillies, arremessa um Ball que, na oportunidade, foi o quarto, cedendo assim um Walk para Mark Teixeira, do New York Yankees. O legal desse vídeo é que a transmissão da TV mostra onde foi a bola no quadrado imaginário.
Outra possibilidade do rebatedor ganhar um walk é o hit by pitch, que ocorre quando o pitcher lança a bola e ela bate em qualquer parte do corpo do rebatedor. Veja o exemplo:
3 – IN PLAY! Ocorre quando o rebatedor consegue rebater uma bola dentro dos limites da foul line. Basicamente, existem dois tipos de rebatidas: o swing, em que o jogador faz o movimento completo, e o bunt, no qual o jogador apenas bloqueia, geralmente para permitir que um colega do time avance uma base. Com a rebatida, algumas possibilidades podem acontecer, porém, neste momento destacamos alguns onde ocorre a eliminação do rebatedor:
3.1 – Flyout: É a eliminação direta do rebatedor quando um jogador da defesa pega a bola sem que ela toque no chão, eis um exemplo:
3.2 – Groundout: É a eliminação direta de um rebatedor quando um jogador da defesa pega a bola depois que ela toca o solo e lança para o first baseman, que deverá estar pisando na base. A eliminação acontece quando essa jogada de defesa ocorre antes que o rebatedor chegue à primeira base. Mais um exemplo:
Esse tipo de eliminação pode acontecer de forma dupla – double play –, ou de forma tripla – triple play -, e são lindas jogadas. Neste caso, a defesa elimina numa mesma jogada o rebatedor e o(s) jogador(es) que ocupava(m) base(s) anteriormente. Este vídeo demonstra bem um double play:
Com a bola em jogo, outra forma de se eliminar um corredor é através do tag out, que ocorre quando um jogador de defesa, com o domínio da bola, encosta com a luva no adversário. Ocorrendo isso, o jogador que está tentando ocupar a base é automaticamente eliminado. Vejamos:
JOGADORES DE ATAQUE
Quando o time está no ataque, os jogadores de defesa passam a rebater. O treinador antes do jogo apresenta a relação desses jogadores e sua ordem no bastão. Essa relação é conhecida como lineup. A cada participação do time no ataque, certamente haverá a participação de 3 rebatedores, afinal, é necessário realizar 3 eliminações para acabar a metade da entrada. A cada rebatida válida, onde o rebatedor consegue conquistar pelo menos a primeira base, ou a cada eliminação, o rebatedor seguinte do lineup vai para o bastão. Após os nove jogadores passarem pelo bastão, volta o primeiro rebatedor da série, e assim se repete até o final do jogo.
Ao longo do ataque, o treinador pode substituir esses rebatedores. Em regra, há dois tipos de substituição: a) quando o rebatedor é substituído por algum companheiro na sua vez de rebater (neste caso o substituto é conhecido como Pinch Hitter, ou rebatedor designado), e; b) quando o rebatedor é substituído após uma rebatida válida e esta ocupando base (neste caso o substituto é conhecido como Pinch Runner ou corredor designado). Essas substituições são muito comuns de acordo com a estratégia do treinador. Por exemplo: Um rebatedor sem muita velocidade conquista alguma base. Neste caso, o treinador pode optar pela sua substituição por um rebatedor mais veloz, para facilitar a conquista de novas bases.
OCORRE UMA REBATIDA VÁLIDA
Vimos acima que um rebatedor pode realizar rebatidas que o eliminem. Neste caso, o mérito é da defesa. Por outro lado, o rebatedor por rebater bolas para dentro do campo, o que é considerada uma rebatida válida, sendo então mérito do ataque. Uma rebatida válida pode ser:
1 – Rebatida simples: o rebatedor acerta uma rebatida válida e vai até a primeira base.
2 – Rebatida dupla: o rebatedor acerta uma rebatida válida e vai até a segunda base.
3 – Rebatida tripla: o rebatedor acerta uma rebatida válida e vai até a primeira base. Esse tipo de rebatida já não é tão comum num jogo. Veja como é:
4 – Inside the Park Home Run: é o raríssimo lance onde o rebatedor vai até o home plate com sua rebatida que não chegou a sair dos limites do campo. Vejamos:
5 – Home Run: É o ápice do rebatedor. O Home Run ocorre quando o rebatedor manda a bola para fora dos limites do campo, geralmente para as arquibancadas. Com o Home Run, o rebatedor corre por todas as bases até chegar ao home plate e anotar uma corrida. Se outros jogadores estiverem em base, estes também anotarão suas corridas. Veja um Home Run.
É num Home Run que o rebatedor pode conquistar o maior número de corridas numa única jogada. Isso acontece quando as bases estão lotadas e o rebatedor anota um home run. Assim, todos os jogadores em base, mais o rebatedor, anotam corridas. Eis um Grand Slam:
Como percebemos com os vídeos acima, ocorrendo uma rebatida válida, o rebatedor passa a ser chamado de corredor, momento no qual seu objetivo passa a ser correr até a primeira base sem ser eliminado (safe, ou salvo) e, ainda, possibilitar que seus companheiros que anteriormente tenha conquistado base possam ocupar nova base. Após conquistar a primeira base, seu objetivo passa a ser ocupar as bases seguintes (2ª e 3ª) até chegar ao Home Plate (local onde ele estava como rebatedor) – anotando assim uma corrida para sua equipe. Importante apenas destacar que cada base pode ser ocupada por apenas um jogador No beisebol, cada corrida representa um ponto. A busca por essas novas bases apenas poderão acontecer quando outro companheiro de equipe também conseguir uma rebatida válida. As exceções dessa regra são o roubo de base, que ocorre quando o corredor chega à salvo na base seguinte enquanto seu companheiro enfrenta o arremessador, e o erro, que é quando um erro na defesa permite que o corredor tente conquistar a base seguinte. Os vídeo abaixo são exemplos dessas exceções:
Neste vídeo mostramos um roubo de base, realizado por Brett Gardner, do New York Yankees. Já os vídeos a seguir mostram algumas possibilidades de erro:
Esse é um lançamento errado, conhecido como throw. Isso ocorre quando um jogador de defesa lança de maneira errada a bola para algum companheiro, permitindo o roubo de base.
Já neste vídeo, o jogador de defesa não conseguiu pegar a bola numa defesa relativamente fácil. Esse erro é conhecido como fielding.
PONTUANDO NO JOGO
Como já mostramos, um ponto acontece quando um rebatedor consegue uma rebatida válida e consegue, percorrendo todas as bases, chegar ao home plate. Vence o jogo quem, ao final das 9 entradas, anotar mais corridas.

http://wp.clicrbs.com.br/highlights/entenda-o-beisebol/?topo=2,2,,,,77&status=encerrado

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